16 de agosto de 2010

A vida que eu pedi a Deus

São 10h20m da manhã, peguei o mesmo ônibus lotado de sempre, e durante o percuso fiquei conversando com o cobrador. Um homem com aparência sofrida, deve ter lá seus 60 e tantos anos, com várias rugas no rosto, mas que é sempre amável e tá sempre de bom humor.
E viemos jogando conversa fora, falamos das moedinhas que as pessoas perdem no ônibus e não percebem, falamos do ônibus que vinha atrás, da nota de 10 reais de plástico que sempre escorrega e é fácil de perder...
E então ele me disse algo surpreendente:
"- Sabe, antes de ser cobrador eu tocava forró nas noites da vida. Viajei mundo afora, me diverti muito e descansei muito pouco. Hoje tenho minha mulher, tenho sossego, ela não precisa ser empregada na casa de ninguém, nós temos uma casinha boa pra morar e nós temos saúde! Eu tenho a vida que eu pedi a Deus!"
Eu nem sei se algum dia na vida eu ouvi essa frase de mais alguém..
Estamos todos tão habituados a criticar e a reclamar que nem damos conta das conquistas, das portas que se abrem/abriram, de quanto somos felizes, ou de quanto temos tudo o que precisamos pra ser feliz...
Nem damos o devido valor ao que realmente importa - saúde, amigos, família... acabamos sempre nos prendendo a coisas pequenas, sem valor de verdade...
Fiquei mesmo surpresa! e feliz!


Um comentário :

Geraldo disse...

Puxa, é verdade mesmo. A felicidade é uma coisa muito vaga e pode ser encontrada até na água saindo da torneira quando estamos lavando a louça. Ela pode vir e desaparecer num átimo mas pode também durar um pouco mais. Só se sabe que nunca é definitiva já que depende de uma combinação química específica no cérebro.
Essa semana tenho explorado as constatações de que, se queremos uma felicidade mais duradoura, devemos investir mais em experiência do que em acumular bens, ou seja, mais vale gastar um dinheirinho para pegar um cineminha do que comprar uma caneta nova, ou fazer um passeio no final de semana do que consertar o sofá da sala. Essas coisas.
Uma coisa interessante que li tempos atrás foi a constatação científica de que, por mais que os governantes digam que vão investir em estradas, em pontes, em obras, em crescimento, descobriu-se de que não é isso que aumenta a felicidade das pessoas de uma nação. Descobriu-se que o nível de felicidade de povos pobres africanos é semelhante ao de países super desenvolvidos da Europa. Realmente um caso a se pensar, já que a gente se mata tanto no dia a dia pra ter um emprego melhor, pra ganhar um salário melhor, pra ser melhor nisso, melhor naquilo mas, no entanto, não é bem isso que está nos fazendo mais felizes.
Esse assunto vai longe.
Um grande abraço.
Orks