28 de julho de 2011

Pense nisto...

PENSE NISTO: 
O tempo do planeta é muito mais lento e misterioso que o nosso. Nós duramos em média setenta anos, se tanto. E quanto tempo um rio demora para nascer e morrer? Quanto tempo leva uma floresta até existir? Quantos minutos correspondem ao dia de uma nuvem? Quanto tempo ainda temos para que a água, a mais pura das substâncias, fique turva, corrompa sua essência e desapareça levando-nos com ela?

PENSE NISTO: 
Embora duremos pouco, setenta anos, se tanto, o fato é que nos últimos séculos o homem submeteu o tempo da natureza ao seu próprio tempo. O tempo do interesse, da ansiedade, da arrogância e da tragédia. O que antes demorava milhões de anos para acontecer e não ganhava nome porque ninguém sequer notava, hoje acontece em anos, meses, horas ou segundos e é o que freqüentemente chamamos de catástrofe. 

PENSE NISTO: 
Em um futuro próximo, quando percebermos que o caos formado pelas coisas que nós desperdiçamos nos deixar ilhados, terá chegado o momento de grandes transformações sociais e pessoais. Olhando para dentro de nós mesmos descobriremos então uma porção de magia adormecida que faz com que todas as pessoas sejam artistas e possuam uma sensibilidade que deve ser cultivada na contemplação e na transformação do mundo. 

AGORA IMAGINE ESTA CENA: 
No futuro, enfrentando a dura tarefa de reordenar o caos, haverá somente o artista. Simultaneamente homem e mulher, o artista será o que restou do melhor de nós. O herdeiro do nosso espírito, da nossa sensibilidade, da nossa capacidade de contemplar e amar as coisas. Sua casa será uma espécie de oficina. No centro dela haverá uma escada em espiral. Mais do que levar para o andar superior - que não existe - servirá para que ele possa elevar-se e olhar com esperança as ruas por onde flui o opaco cotidiano das pessoas que ainda se mantém adormecidas. O ambiente da sua casa será bastante desordenado mas atraente. Um depósito de sucatas que ele recolherá do lado de fora, das ruas, para salvar do esquecimento. Ele amará esses resíduos. Irá se debruçar sobre cada um deles com atenção e calma, e só a partir daí irá tocá-los e modificá-los através de um trabalho árduo. Quando ficar cansado irá buscar sua garrafa. Dentro dela um pouco de água. Como esperança de longevidade ela será a única coisa que, brincando com a luz, brilhará no meio daquela atmosfera densa. Ele se alimentará dessa água enquanto descansa. Durante alguns breves minutos tudo estará em paz. 
Pense nisto...


Um comentário :

Pathy disse...

- Kafé disse...
Interessante. Me coloquei a pensar um pouco mais.
Kafé.
26/05/2006