19 de junho de 2006

Até a rapa

Hmm... quanto tempo leva pra gente se desvencilhar de um amor?
Será que depende do tempo que passamos juntos? Será que depende dos momentos que dividimos? Ou será que depende do que acreditamos sobre relações? Ou tem a ver com passagens da infância? Ou depende dos exemplo que temos a nossa volta?
Eu não sei... tenho vários amigos em diferentes fases da vida, inclusive tenho minhas próprias experiências, e cada um sente, pensa e reage de forma diferente. Nada mais justo, afinal.. cada um de nós é único!..
Mas vejo que alguns sofrem mais, outros sofrem menos.. uns sofrem por muito tempo, outros por pouco tempo.. uns se esquecem mais depressa, outros levam uma vida inteira tentado esquecer..
E aí me pego pensando... será mesmo que tem a ver com o outro, ou com a gente mesmo?
Martha Medeiros escreveu o seguinte:
"Olhe para um lugar onde tenha muita gente: uma praia num domingo de 40 graus, uma estação de metrô, a rua principal do centro da cidade. Pois metade deste povaréu sofre de dor-de-cotovelo.
Alguns trazem dores recentes, outros trazem uma dor de estimação, mas o certo é que grande parte desses rostos anônimos têm um amor mal resolvido, uma paixão que não se evaporou completamente, mesmo que já estejam em outra relação.
Por que isso acontece? Eu tenho uma teoria, ainda que eu seja tudo, menos teórica no assunto.
Acho que as pessoas não gastam seu amor. Isso mesmo. Os amores que ficam nos assombrando não foram amores consumidos até o fim.
Você sabe, o amor acaba. É mentira dizer que não. Uns acabam cedo, outros levam 10 ou 20 anos para terminar, talvez até mais. Mas um dia acaba e se transforma em outra coisa: amizade, parceria, parentesco, e essa transição não é dolorida se o amor foi devorado até a rapa.
Dor-de-cotovelo é quando o amor é interrompido antes que se esgote. O amor tem que ser vivenciado. Platonismo funciona em novela, mas na vida real demanda muita energia, sem falar do tempo que ninguém tem para esperar. E tem que ser vivido em sua totalidade. É preciso passar por todas as etapas: atração-paixão-amor-convivência-amizade-tédio-fim.
Como já foi dito, este trajeto do amor pode ser percorrido em algumas semanas ou durar muitos anos, mas é importante que transcorra de ponta a ponta, senão sobra lugar para fantasias, idealizações, enfim, tudo aquilo que nos empaca a vida e nos impede de estar aberto para novos amores.
Se o amor foi interrompido sem ter atingido o fundo do pote, ficamos imaginando as múltiplas possibilidades de continuidade, tudo o que a gente poderia ter dito e não disse, feito e não fez.
Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo.
Isso é que libera a gente para ser feliz de novo."


3 comentários :

Pathy disse...

- josemalm (www.josemalm.blogspot.com) disse...

Parabéns pelo seu blog!
Gostei das suas palavras.
20/06/2006

Pathy disse...

- anônimo disse...
oi menina , eu me amarro na Martha Medeiros, boa escolha.
21/06/2006

Pathy disse...

- Helen (helencarol.blogspot.com) disse...

não é anônimo não , fui eu quem deixei o comentário acima. bjão
21/06/2006