4 de julho de 2006

35 anos para ser feliz!

Uma notinha instigante na Zero Hora de 30/09: foi realizado em Madri o Primeiro Congresso Internacional da Felicidade, e a conclusão dos congressistas foi que a felicidade só é alcançada depois dos 35 anos. Quem participou desse encontro? Psicólogos, sociólogos, artistas de circo? Não sei. Mas gostei do resultado.
A maioria das pessoas, quando são questionadas sobre o assunto, dizem: "Não existe felicidade, existem apenas momentos felizes". É o que eu pensava quando habitava a caverna dos 17 anos, para onde não voltaria nem puxada pelos cabelos. Era angústia, solidão, impasses e incertezas pra tudo quanto era lado, minimizados por um garden party de vez em quando, um campeonato de tênis, um feriadão em Garopaba. Os tais momentos felizes.
Adolescente é buzinado dia e noite: tem que estudar para o vestibular, aprender inglês, usar camisinha, dizer não às drogas, não beber quando dirigir, dar satisfação aos pais, ler livros que não quer e administrar dezenas de paixões fulminantes e rompimentos. Não tem grana para ter o próprio canto, costuma deprimir-se de segunda a sexta e só se diverte aos sábados, em locais onde sempre tem fila. É o apocalipse. Felicidade, onde está você? Aqui, na casa dos 30 e sua vizinhança.
Está certo que surgem umas ruguinhas, umas mechas brancas e a barriga salienta-se, mas é um preço justo para o que se ganha em troca. Pense bem: depois dos 30, você paga do próprio bolso o que come e o que veste. Vira-se no inglês, no francês, no italiano e no iídiche, e ai de quem rir do seu sotaque. Não tenta mais o suicídio quando um amor não dá certo, enjoou do cheiro da maconha, apaixonou-se por literatura, trocou sua mochila por uma Samsonite e não precisa da autorização de ninguém para assistir ao canal da Playboy. Talvez não tenha se tornado o bam-bam-bam que sonhou um dia, mas reconhece o rosto que vê no espelho, sabe de quem se trata e simpatiza com o cara.
Depois que cumprimos as missões impostas no berço — ter uma profissão, casar e procriar — passamos a ser livres, a escrever nossa própria história, a valorizar nossas qualidades e ter um certo carinho por nossos defeitos. Somos os titulares de nossas decisões. A juventude faz bem para a pele, mas nunca salvou ninguém de ser careta. A maturidade, sim, permite uma certa loucura. Depois dos 35, conforme descobriram os participantes daquele congresso curioso, estamos mais aptos a dizer que infelicidade não existe, o que existe são momentos infelizes. Sai bem mais em conta.
- Martha Medeiros, Outubro de 1998


3 comentários :

Pathy disse...

- Gabriela (www.detudoumpoucorj.blogspot.com) disse...
Olá!
Vi que vc tem outros blogs!
Vou colocar um link deste na minha lista de links de blogs!
Pode acreditar:estarei sempre por aqui!
Beijos!
04/07/2006

Pathy disse...

- Gabriela (www.detudoumpoucorj.blogspot.com) disse...
...e sobre esse texto, concordo! Cara,adolescente sofre! Eu sofri demais! Ainda não tenho 30 (aliás,estou bem longe dos 30.Ainda tenho só 22 anos).
Adolescente tem que transar aonde der, porque os pais não deixam fazer isso em casa; tem que chegar a hora que os pais mandam; tem que pedir autorização pra tudo!
Mas a felicidade chegou pra mim aos 19, quando meu pai declarou que não sou mais criança, sou dona do meu próprio nariz, e faço o que quiser e o que bem entender e o melhor: posso levar meu namorado pra dormir lá em casa! Ainda tem mais: posso sair de casa, morar só, com amigos... Pai legal esse que eu tenho, hein...
04/07/2006

Pathy disse...

- Kefé (http://kaferoceiro.blogspot.com) disse...
Simplesmente demais o texto! É verdade pura isso. A experiência gera a felicidade. A adolescência é cheia de infortúnios principalmente pelo medo do novo e por não saber o que fazer da própria vida. Máximo!
Pathy, como sempre você arrasou!
abraços,
Kafé.
05/07/2006