29 de outubro de 2007

ter ou não ter namorado, eis a questão

Atribuído a Carlos Drummond de Andrade,
mas é de Artur da Távola.

"Quem não tem namorado é alguém que tirou férias remuneradas de si mesmo. Namorado é a mais difícil das conquistas. Difícil porque namorado de verdade é muito raro. Necessita de adivinhação, de pele, saliva, lágrima, nuvem, quindim, brisa ou filosofia. Paquera, gabira, flerte, caso, transa, envolvimento, até paixão é fácil. Mas namorado mesmo é muito difícil.

Namorado não precisa ser o mais bonito, mas ser aquele a quem se quer proteger e quando se chega ao lado dele a gente treme, sua frio, e quase desmaia pedindo proteção. A proteção dele não precisa ser parruda ou bandoleira: basta um olhar de compreensão ou mesmo de aflição.

Quem não tem namorado não é quem não tem amor: é quem não sabe o gosto de namorar. Se você tem três pretendentes, dois paqueras, um envolvimento, dois amantes e um esposo; mesmo assim pode não ter nenhum namorado. Não tem namorado quem não sabe o gosto da chuva, cinema, sessão das duas, medo do pai, sanduíche da padaria ou drible no trabalho.

Não tem namorado quem transa sem carinho, quem se acaricia sem vontade de virar lagartixa e quem ama sem alegria.

Não tem namorado quem faz pactos de amor apenas com a infelicidade. Namorar é fazer pactos com a felicidade, ainda que rápida, escondida, fugidia ou impossível de curar.

Não tem namorado quem não sabe dar o valor de mãos dadas, de carinho escondido na hora que passa o filme, da flor catada no muro e entregue de repente, de poesia de Fernando Pessoa, Vinícius de Moraes ou Chico Buarque, lida bem devagar, de gargalhada quando fala junto ou descobre a meia rasgada, de ânsia enorme de viajar junto para a Escócia, ou mesmo de metrô, bonde, nuvem, cavalo, tapete mágico ou foguete interplanetário.

Não tem namorado quem não gosta de dormir, fazer sesta abraçado, fazer compra junto. Não tem namorado quem não gosta de falar do próprio amor nem de ficar horas e horas olhando o mistério do outro dentro dos olhos dele; abobalhados de alegria pela lucidez do amor.

Não tem namorado quem não redescobre a criança e a do amado e vai com ela a parques, fliperamas, beira d'água, show do Milton Nascimento, bosques enluarados, ruas de sonhos ou musical da Metro.

Não tem namorado quem não tem música secreta com ele, quem não dedica livros, quem não recorta artigos, quem não se chateia com o fato de seu bem ser paquerado. Não tem namorado quem ama sem gostar; quem gosta sem curtir quem curte sem aprofundar. Não tem namorado quem nunca sentiu o gosto de ser lembrado de repente no fim de semana, na madrugada ou meio-dia do dia de sol em plena praia cheia de rivais.

Não tem namorado quem ama sem se dedicar, quem namora sem brincar, quem vive cheio de obrigações; quem faz sexo sem esperar o outro ir junto com ele.

Não tem namorado que confunde solidão com ficar sozinho e em paz. Não tem namorado quem não fala sozinho, não ri de si mesmo e quem tem medo de ser afetivo.

Se você não tem namorado porque não descobriu que o amor é alegre e você vive pesando 200Kg de grilos e de medos. Ponha a saia mais leve, aquela de chita, e passeie de mãos dadas com o ar. Enfeite-se com margaridas e ternuras e escove a alma com leves fricções de esperança. De alma escovada e coração estouvado, saia do quintal de si mesma e descubra o próprio jardim.

Acorde com gosto de caqui e sorria lírios para quem passe debaixo de sua janela. Ponha intenção de quermesse em seus olhos e beba licor de contos de fada. Ande como se o chão estivesse repleto de sons de flauta e do céu descesse uma névoa de borboletas, cada qual trazendo uma pérola falante a dizer frases sutis e palavras de galanteio.

Se você não tem namorado é porque não enlouqueceu aquele pouquinho necessário para fazer a vida parar e, de repente, parecer que faz sentido."


25 de outubro de 2007

Se...


19 de outubro de 2007

Quizás, quizás, quizás...


18 de outubro de 2007

Profissionais de RH

Desde meu 1o. emprego até hoje eu já perdi as contas de quantas entrevistas eu fiz. E desde então sempre tive o "pé atrás" com os profissionais de RH.
Não exatamente pelas entrevistas em si, que são uma "saia justa" só, mas também pelo perfil desses profissionais, por suas atitudes, e pelos papéis que desempenham.
Que ninguém se ofenda, pois não estou aqui pra desmerecer ninguém, até porque acho mesmo que seja uma exigência da função, mas que eles me revoltam, ahh... me revoltam!!!
Fico pensando, quando são contratados, imagino que a proposta de emprego seja mais ou menos assim (além de outras outras qualificações, claro):
- Requisitos Básicos: falsidade, mentira, manipulação
- Diferencial: pos-graduação em interpretação e dramatização, artes cênicas e performance teatral.

Não quero mesmo ofender nignuém, mas eles têm o dom de mentir além da conta, de enganar e enrolar, e são falsos como ninguém! Impressionante!!
Eles exigem tudo e não dão nada em troca, fingem o tempo todo em que estão na sua frente, e nem sequer se desculpam por terem feito vc perder seu tempo com entrevistas e /ou agradecem por vc ter se disponibilizado a participar de um processo seletivo.
E isso é só o começo... Depois de tudo, se vc já tem o emprego, eles fingem que vc é legal, eles fingem que são legais, e quando vc menos espera, lá vem a facada nas costas!!
É, mesmo, no mínimo, revoltante, não é?!!


17 de outubro de 2007

Preguiça e Progresso


15 de outubro de 2007

Dia das Crianças

Tenho andado meio distante do blog, eu sei. Mas é que fazia um bom tempo que não lia nada e ganhei alguns livros de presente - até postei sobre eles, e acabei me deixando levar... Perdi a noção dos dias e das horas nas páginas fantásticas dos livros que ganhei!!

Daí, sexta-feira, dia das crianças, teve festa na rua de casa, e acabei voltando no tempo com as músicas todas que estavam tocando... balão mágico, trem da alegria, pluct plact zum, e até xuxa também... Eu ria sozinha lembrando de coisas relacionadas a cada música.
E me dei conta de que a melhor parte de ser criança é a de que não guardamos nada por muito tempo - aproveitamos tudo na hora em que acontece e depois esquecemos! E continuamos aproveitando tudo!!
Se prestarmos atenção, veremos que as crianças ficam bravas com uma coisa na hora e logo depois ficam felizes com outra, e então, se perguntarmos o que a deixou brava antes, ela nem lembra mais... e também não se importa muito com isso... só importa aquele momento presente, aquele agora. E essa talvez seja a forma mais pura da felicidade!!


9 de outubro de 2007

A Tenda Vermelha

Filha de figuras bíblicas bem conhecidas, Jacob e Leah, Dinah conta-nos finalmente a sua própria história. Revela-nos as tradições e andanças das mulheres daquele tempo – o mundo da tenda vermelha, dando-nos uma perspectiva feminina de grande parte do Livro do Génesis. Começa com a vida das suas quatro mães, as quatro mulheres de Jacob, que a amam e cujos ensinamentos serão a sua força ao longo da vida. Uma vida que se revelará notável, simultaneamente amaldiçoada pela violência e abençoada pela bondade.
O livro é uma epopeia histórica, contada por mulheres – e escrita sobre mulheres – que recria os tempos bíblicos, os seus modos de ser, as suas vivências, os seus hábitos e costumes, até a sua linguagem e, simultaneamente revela sentimentos e emoções que são de agora, que são de sempre. E só aparentemente A Tenda Vermelha é um livro antigo. Na realidade trata-se de um hino à condição da mulher, no que ela tem de mais íntimo e mais profundo. E também à sua capacidade, não só através da maternidade, de criar novos mundos e de desafiar velhas tradições.

- Leia aqui: Release e Prólogo